Entrevista com Padre Dalmário – Cenáculo para Casais

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A Redação PioX.Net entrevistou o padre Dalmário Melo, vindo da cidade de Natal- RN, para ministrar o Cenáculo para Casais. Confira:

Redação PioX – Existem 3 estados vida: matrimônio, sacerdócio e celibato. Como descobrir qual estado de vida se deve seguir?

Padre Dalmário – Antes de tudo viver, e viver é mais que existir perceber que a vida é uma vocação e perceber que a única realidade que realiza a essência desta vida é justamente o amor. Somente o amor dá sentido à vida. Esse amor vai reclamar o estado de vida, seja o sacerdócio, seja o celibato, ou seja o matrimônio. E para atingir esse grau de discernimento é necessário muita  oração, somente numa vida submissa à vontade de Deus pelo o vínculo da oração, descobrimos de fato aquilo que é o projeto de Deus para a vida, e através dela para a vida das pessoas ou para a vida de uma pessoa se é o caso do matrimônio.

Mas o que vale mesmo é essa  disposição permanente a amar e dá sentido à própria vida e  o amor vai reclamar necessariamente uma aliança, quer no matrimônio, quer no sacerdócio quer no celibato. Aí é Deus que vai revelar aquilo que é a Sua vontade mediante uma vida de intimidade com ele.

 

Redação PioX Diante de uma sociedade em sua maioria pagã, que conselho o senhor deixa para os casais que vivem o Sacramento do matrimônio?

Padre Dalmário –  A sociedade quer queira, quer não, nos estimula a uma vida egocêntrica auto-suficiente, uma vida na qual eu vivo para realizar a mim mesmo.

Renato Russo dizia que o mal do século é a solidão. Cada um de nós imerge sua própria arrogância esperando pelo um pouco de afeição. A primeira grande vitória que um cristão deve conquistar, é perceber que se está nesse mundo para amar e a única coisa que vai dar sentido a  vida é vencer todo esse egocentrismo, esse individualismo, essa subjetividade que gera essa  auto-realização da sociedade, neo-pagã na qual nós vivemos.

 

Redação PioX –E para os casais separados? O que o senhor tem a nos dizer?

Padre Dalmário –  Sabemos que o plano original de Deus é que somente a morte  os separe, mas  se por algum motivo, e não somos nós, nem a Igreja a julgar, e se o plano não vingou, é necessário que vivam para realizar as suas próprias vidas no amor e no bem, sendo amigos, sobretudo se possuem filhos; que vivam também para serem base, o sustento para a vida dos filhos. Isso é muito importante. O referencial de pai e mãe devem permanecer na vida deste filho ou desta filha, mas sobretudo não perder de vista esse sentido da vida que é o amor. Mesmo que não tenha dado certo naquele primeiro momento, a casa deles é a Igreja, que deve acolhê-los e inseri-los na realidade que lhes cabe.

Redação PioX Qual a visão da Igreja  em relação aos casais em segunda união?

Padre Dalmário- É aquilo que não desejávamos, mas é um fato e o que é que a Igreja, principalmente através do coração humilde simples do Papa Francisco, está sendo :  a voz de Deus para os nossos dias. São pessoas que não estão aí para serem julgadas, mas para serem acolhidas e inseridas. Elas precisam de ajuda e de serem inseridas na realidade  que pode lhes caber dentro da comunidade cristã,  e então eu diria acolhimento, acompanhamento e também inserção no processo de evangelização da própria Igreja, claro, cada caso é um caso e devemos acolher em particular de maneira singular estas pessoas.

 

Redação PioX Sobre o documento lançado pelo o Papa Francisco que fala sobre a nulidade matrimonial, como o senhor avalia essa decisão?

Padre Dalmário-  Basta apenas citar o Papa Francisco: não se trata do divorcio católico, a Igreja não está legitimando ou simplesmente abrindo brecha para que haja um divórcio católico. O que o Papa Francisco fez, com o coração de pastor que ele tem, foi facilitar todo o processo de nulidade  matrimonial para que de fato, detectado que aquele casamento não existiu, as pessoas estejam livres para seguirem suas vidas. E isso de fato não é um favorecimento do divórcio, mas é simplesmente um  ‘enxugar’  de toda uma burocracia que vivíamos como Igreja para detectar e atestar que um casamento nunca existiu ou seja, é nulo. E então o Papa apenas como pastor facilitou todo o processo de nulidade. Ele não está estabelecendo o divórcio católico. Está, simplesmente, pastoralmente, facilitando um processo que continua o mesmo com as suas mesmas exigências só que, de maneira mais humana, pastoral e rápida.

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